No centro desta transformação estão os Sistemas de Automação e Controlo de Edifícios (SACE) – que os regulamentos mais recentes enfatizam fortemente. Neste artigo de opinião, examinamos os principais requisitos da norma EN ISO 52120-1 e a Diretiva de Desempenho Energético de Edifícios (Energy Perfomance of Buildings Directive – EPBD) atualizada, discutimos de que forma algumas soluções se alinham com essas ideias, descrevemos os benefícios e os desafios respeitantes à conformidade com a norma e partilhamos a nossa opinião sobre o futuro do SACE à luz destas mudanças.
EN ISO 52120-1: elevar a fasquia no controlo inteligente de edifícios
Uma base importante para o novo cenário regulamentar é a EN ISO 52120-1:2022, a norma internacional que define como os sistemas SACE contribuem para a eficiência energética. Esta norma, que substitui a antiga EN 15232, estabelece um quadro comum para avaliar e classificar as capacidades do SACE e o seu impacto no desempenho energético de um edifício [1].
Uma característica fundamental desta norma é a definição de quatro classes de eficiência (A, B, C, D) para edifícios:
- Classe D – controlo não eficiente em termos energéticos (essencialmente automação nula ou mínima). Os edifícios desta classe são considerados ultrapassados e devem ser melhorados.
- Classe C – esta é uma linha de base de medidas de controlo comuns (por exemplo, programação básica de AVAC e iluminação) [1];
- Classe B – SACE avançado com algumas funções técnicas de gestão de edifícios. Isto implica estratégias de otimização AVAC com base em previsões meteorológicas ou ligar vários sistemas entre si [1];
- Classe A – SACE de alto desempenho com Gestão Técnica de Edifícios integrada. Este nível superior envolve um sistema totalmente integrado e inteligente, onde todos os serviços dos edifícios estão coordenados para a eficiência com recursos como a ventilação controlada com base na necessidade real, proteção à exposição solar automatizada e otimização energética global baseada em análise [1].
O objetivo da EN ISO 52120-1:2022 é claro: foco naClasse A ou B para alcançar economias de energia significativas. A norma propõe métodos para calcular a melhoria energética que um conjunto de funções de controlo pode oferecer[1]. Por exemplo, a norma quantifica os benefícios de ações como o ajuste automático da temperatura com base na ocupação.
Esta norma reforça o valor de um SACE robusto. A título de exemplo real, isso significa que um edifício, que hoje tenha um sistema que permita a coordenação otimizada entre sistemas, pode ser considerado e reconhecido como uma instalação de alta eficiência.
A EPBD revista: tornar obrigatórios os controlos inteligentes
AEPBD, reformulada em 28 de maio de 2024, coloca uma forte ênfase na digitalização e nos controlos inteligentes como instrumentos para aumentar a eficiência energética. Os principais aspetos incluem:
- Requisitos mais amplos do SACE: a EPBD aumenta drasticamente o número de edifícios abrangidos pela norma. Anteriormente, apenas sistemas de AVAC muito grandes (mais de 290 kW) instalados em edifícios não residenciais necessitariam de um SACE. Atualmente, o limite será reduzido para 70 kW de capacidade de aquecimento/arrefecimento [2], e mesmo os edifícios residenciais novos e remodelados devem incluir determinadas funcionalidades de automação a partir de 2026 [2];
- Qualidade do Ar Interior (QAI) e Conforto: pela primeira vez a diretiva aborda este ponto. Os Estados-Membros devem estabelecer normas para um ar interior saudável e utilizar a automação dos edifícios para as manter [2]. Isto significa que os sensores de temperatura, CO₂, humidade relativa, entre outros, e o controlo dinâmico da ventilação já não são apenas “extravagâncias” para edifícios verdes;
- Smart Readiness Indicator (SRI): introduzido pela EPBD, trata-se de uma classificação que avalia como um edifício utiliza tecnologias inteligentes para otimizar o seu desempenho. Até 2027, os grandes edifícios poderão ter de apresentar uma classificação SRI como referência da sua qualidade[2]. Ou seja, um edifício com um SRI mais elevado poderá ter um valor comercial mais alto, podendo ser visto como um incentivo para investir em soluções mais inteligentes;
- Autorregulação e equilíbrio hidrónico: as novas regras exigem que os sistemas de aquecimento e arrefecimento sejam equipados com dispositivos de autorregulação para evitar ineficiências. Por exemplo, cada sala ou zona pode precisar de um controlo termostático que possa modular o caudal de água de forma independente. Obalanço hidrónico dinâmicoem cada unidade terminal deve ser assegurado [2] tornando-se uma expectativa legal;
- Automação em vez de inspeções: tradicionalmente, os sistemas de climatização de edifícios devem ser inspecionados periodicamente no que se refere à eficiência. A EPBD reconhece agora que, se um edifício dispõe de um sistema SACE que disponha de monitorização contínua e deteção automatizada de falhas, pode efetivamente ser auto-inspecionado, desde que a automação notifique os operadores de qualquer quebra de desempenho [2].
Em suma, a revisão da EPBD determina que os edifícios se tornem inteligentes brevemente. Lembramos que até 2030, todos os novos edifícios devem ter “emissões zero” [2].
José Luis Damián de las Heras
Country Manager, Global Products Control Espanha & Portugal
Johnson Controls
Grupo Contimetra/Sistimetra[1]
Contimetra, Lda.
Tel.: +351 214 203 900
contimetra@contimetra.com ∙ www.contimetra.com
[1] Artigo adaptado pelo Grupo Contimetra/Sistimetra a partir do original “Building Management Systems and New EU Directives: A Johnson Controls Perspective”.
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