Revista o electricista

As limitações das ligações permanentes nas ITED

O cumprimento das ligações permanentes no presente Manual ITED pode implicar na conversão de sinais para uma outra tecnologia, ou então a inclusão de pontos de distribuição (PD) adicionais.

A tecnologia par de cobre está limitada a ligações permanentes máximas de 90 metros, sendo esta a distância máxima admissível de um cabo instalado nas ITED.

Por outro lado, a tecnologia de cabo coaxial, é limitada não em comprimento dos cabos, mas sim nas atenuações e slopes máximos admissíveis. Na prática, utilizando os melhores cabos coaxiais disponíveis no mercado é possível, por exemplo, obter ligações permanentes máximas de 88 metros com um T200Plus e 118 metros com um TR-165. No entanto, de referir que este último não é possível a sua ligação a tomadas coaxiais face ao seu diâmetro exterior de 10,1 mm não o permitir, ficando assim o TR-165 limitado apenas à instalação de interligações entre PD’s.

Apesar de todas estas condicionantes, e como na presente edição do manual ITED já não é obrigatório o dimensionamento das 3 tecnologias entre pontos de distribuição, o projetista tem liberdade de definir uma solução que se adeque às necessidades dos serviços de telecomunicações necessários para a infraestrutura, e, simultaneamente deverá respeitar os condicionalismos técnicos e legislativos.

Não existindo qualquer limitação técnica nem legislativa quanto ao comprimento máximo de uma ligação permanente de fibra ótica nas ITED, poderá estar aqui a solução para garantir a transmissão de sinais entre pontos de distribuição com distâncias significativas entre si. Para tal, será apenas necessária a conversão dos sinais de Par de Cobre e/ou Cabo Coaxial para tecnologia de Fibra Ótica.

Existem uma série de soluções no mercado que permitem ao projetista cumprir com as premissas anteriores, seguindo-se os exemplos mais comuns:

  1. Par de cobre em fibra ótica

Os Conversores de meios de Par de Cobre (RJ45) para Fibra Ótica (SC) são uma ótima solução quando se pretende a conversão de apenas um único ponto a jusante. São soluções mais económicas, utilizam cabo de fibra ótica Monomodo e são permitidas nas ITED. No exemplo da figura, existe um equipamento que transmite nos 1550 nm e recebe nos 1310 nm e na outra extremidade um equipamento equivalente que transmite sinais nos 1310 nm e recebe nos 1550 nm, sendo assim necessária apenas uma fibra ótica para a transmissão/receção.

Figura 1. Transmissão P2P com 1FO SM.

Adicionalmente poder-se-á encontrar soluções muito idênticas no mercado, onde os conversores de meios carecem de um Kit SFP (Small Form Factor Pluggable), que adapte o equipamento ao tipo de fibra ótica (Monomodo ou Multimodo), e, ao número de fibras necessárias. Ou seja, uma fibra ótica quando se utilizam comprimentos de onda distintos para a transmissão nos dois sentidos, e duas fibras óticas quando se utilizam comprimentos de onda iguais em ambos os sentidos.

De referir que nas ITED os SFP previstos terão de ser obrigatoriamente para ligação de fibra Monomodo, sendo este o único tipo de cabo ótico permitido nas ITED.

Figura 2. Transmissão P2P com 1FO SM com Kit SFP.

Quando o número de pontos par de cobre é significativo no ponto de distribuição a jusante, é conveniente o recurso a um Switch Ethernet com um número de portas suficientes para satisfazer os pontos necessários. Este switch Ethernet deverá garantir a existência de pelo menos uma porta SFP para a interligação de fibra ótica com o switch Ethernet principal. E este deverá garantir um número de portas SFP necessárias para a interligação de todos os switch Ethernet secundários existentes na infraestrutura, que recorram à interligação por fibra ótica.

De referir que esta solução não é possível na rede coletiva de par de cobre uma vez que os equipamentos não são compatíveis com o tipo de sinal dos operadores de rede.

Figura 3. Transmissão com switch com SFP.

De salientar, que tal como no exemplo da figura 2 são os SFP utilizados que determinam o tipo de cabo de fibra ótica a utilizar, tipo de conetorização, e, necessidade de se recorrer a uma ou duas fibras óticas para a transmissão/receção. Como já igualmente referido, é importante não esquecer a obrigatoriedade da utilização de fibra ótica monomodo (SM) e conetorização SC/APC nas ITED, sendo assim imperativo o cuidado da escolha de SFP’s compatíveis com tipo de cabo.

2. Cabo coaxial em fibra ótica

A conversão da tecnologia de cabo coaxial em fibra ótica pode ser utilizada através de um sistema Ponto-Multiponto (P2MP), isto é, a necessidade de um único transmissor para um conjunto de recetores a jusante distribuídos nos pontos de distribuição respetivos. Para tal é necessário a utilização de repartidores óticos com um número de saídas necessárias.

Figura 4. Rede HFC com FO SM SC/APC.

Tipicamente um recetor tem uma margem de funcionamento ótico de entrada entre os -8 e os +1dBm. No dimensionamento da potência do transmissor ótico deverá ter-se em consideração o cálculo das atenuações óticas da rede (Repartidor + Conetores + Fibras + Juntas) de forma a garantir os valores óticos necessários nos recetores.

Esta tecnologia vulgarmente conhecida como redes HFC permite a transmissão de sinais MATV, SMATV e CATV devendo-se ter em atenção a compatibilidade dos equipamentos com o tipo de sinal em causa.

3. Par de cobre e cabo coaxial em fibra ótica

Existem soluções que permitem a utilização de uma única fibra ótica para a transmissão dos sinais de par de cobre e cabo coaxial em simultâneo. O sistema FTTR (fiber-to-the-room) pode ser uma solução de interesse principalmente em infraestruturas de telecomunicações individuais com alguma dimensão.

O OLT é um agregador de serviços IP, disponibilizando-os em fibra ótica através das suas saídas PON, garantindo a transmissão de upstream e downstream nos 1310 nm e 1490 nm respetivamente. O transmissor RF converte o sinal coaxial também em fibra ótica no comprimento de onda de 1550 nm. O amplificador e WDM é o equipamento responsável pela multiplexagem destes dois serviços e pela entrega à rede de fibra ótica que admite um nível de repartição até 64 pontos em cada uma das suas 8 PON disponíveis.

A jusante, as ONU e ONT permitem a recuperação dos sinais nas tecnologias originais de par de cobre e cabo coaxial.

Figura 5. Rede FTTR (GPON).

O nível de tecnologia disponível no mercado nesta área comparativamente ao que existia há uma ou duas décadas atrás, permitem-nos dotar atualmente as infraestruturas de soluções mais evoluídas, com melhores prestações, mais simples de projetar e instalar, que cumpram com os regulamentos em vigor e que muitas das vezes surpreendem economicamente, face às soluções tradicionais.

Hélder Martins
Televés Electrónica Portuguesa, Lda.

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