Revista o electricista

AGEFE e a indústria eletrodigital

Indústria eletrodigital afirma-se como infraestrutura de modernização da economia

AGEFE comemora 50 anos.

É ambiciosa a calibração do desenvolvimento que a indústria eletrodigital pretende para as próximas duas décadas. A AGEFE, representante das empresas da industrial eletrodigital, celebrou 50 anos de existência com uma conferência que partilhou uma visão panorâmica, alertas e uma agenda estratégica com horizonte a um quarto de século. O desafio é fazer da dupla revolução, energética e digital, um determinante fator de competitividade.

A AGEFE – Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital assinalou meio século de vida com a realização de uma conferência de reflexão sobre o atual momento de mercado e os rumos de desenvolvimento expectáveis num quadro mais geral de tendências geopolíticas e económicas.

O evento com mais de duas centenas de convidados decorreu no dia 18 de novembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, E contou com a presença do atual secretário de Estado para a Digitalização, Bernardo Correia, mas também de antigos governantes e economistas, casos de António Costa Silva, António Ramalho e Paulo Portas.

Na mesma ocasião foi apresentado o estudo “A Indústria Electrodigital: perspetivas de evolução na cadeia de valor”, documento estratégico sobre o futuro da indústria eletrodigital que mapeia o atual estado do setor e sinaliza uma agenda do rumo para o próximo quarto de século, num contexto de contínua transição energética e digitalização. O evento afirmou, em geral, a importância estruturante do setor eletrodigital na motorização do desenvolvimento da economia, mas também deixou alertas – transversais nas várias intervenções -, sobre a diferença de velocidade e empenhamento na afirmação tecnológica quando comparamos a Europa com Estados Unidos e China.  

No discurso de abertura, Nuno Lameiras, presidente da AGEFE, traçou um retrato abrangente dos desafios que esperam o setor, salientando a importância estratégica “superior ao seu valor económico, a facilidade de atrair e fixar talento em Portugal e o efeito multiplicador sobre a economia em geral, irradiando competitividade”. Citando Jean Monet – “nada se faz sem as pessoas, nada permanece sem as instituições” -, o responsável da AGEFE acentuou, igualmente, “o valor da proximidade associativa com as empresas, com os mercados e as suas problemáticas, com as entidades e instituições parceiras”.

Não somos apenas uma indústria. Somos a infraestrutura de modernização da economia, tornamos as empresas portuguesas mais digitais, mais eficientes, sustentáveis e qualificadas, mais capazes de vencer no jogo da competitividade global”, enfatizou Nuno Lameiras. “Vejo Portugal com uma potência eletrodigital pela sua capacidade de conectar. Durante meio século, a AGEFE acompanhou, antecipou e acelerou as mudanças que tornaram as nossas vidas melhores. Fomos sempre uma rede, uma inteligência associativa que fez da união a sua principal força e da colaboração o seu principal método. Hoje, quando Portugal enfrenta tempos de transição energética, industrial, digital ou climática, é a indústria eletrodigital que fornece as soluções e os instrumentos para que todos os outros setores possam competir à escala global”, acrescentou.

Com uma vibrante nota de otimismo, Nuno Lameiras fez saber que “acredita num futuro promissor para Portugal, que continua a ter uma centralidade privilegiada, sendo hoje líder nas energias verdes e o único país europeu com ligações digitais diretas a todos os outros continentes habitados”. “Daqui a 25 anos vejo um Portugal diferente, que não é apenas consumidor de tecnologia, mas também criador e integrador de soluções. Que não apenas executa, mas também projeta, decide e inova. Que não apenas segue, mas também lidera. Vejo empresas portuguesas a liderarem fases críticas nas cadeias de valor globais, centros de engenharia de energias renováveis, plataformas de desenvolvimento para a mobilidade elétrica, plataformas de integração para cidades inteligentes, funções avançadas para automação industrial e para os equipamentos instalados nos nossos edifícios. O nosso presente é eletrodigital, mas o futuro é muito mais”, concluiu o presidente da AGEFE.

Nuno Lameiras

Simplificar o Estado

Bernardo Correia, secretário de Estado para a Digitalização, que tem no currículo a passagem pela Direção da Google, explicou em traços gerais a estratégia do atual Executivo para a digitalização do país. “Temos que simplificar e digitalizar a todos os níveis em que o Estado opera. Não adianta substituir papéis por PDF’s ou assinaturas físicas por assinaturas digitais. Pela primeira vez, este governo nomeou um diretor de Sistemas e Tecnologias de Informação do Estado [Manuel Dias, ex-Diretor Nacional de Tecnologia da Microsoft] e agora vai ser necessário percorrer um caminho ambicioso para conseguir 100% de serviços públicos digitais até ao final desta década”, referiu Bernardo Correia.

Queremos ser o primeiro país da Europa a lançar a carteira digital da empresa e devemos aproveitar as potencialidades da Inteligência Artificial (IA), que se tornou indissociável da soberania e motor do desenvolvimento. É necessário tornar mais fácil e simples a vida dos que criam valor para a economia, e só o podemos fazer forçando a convergência entre talento, inovação, capacidade industrial e soluções tecnológicas avançadas”, considerou o secretário de Estado.  

Bernardo Correia terminou a sua intervenção fazendo um apelo: “estamos abertos a ouvir o que o setor eletrodigital considera importante, em termos de legislação, para crescer mais e dar mais ao país. Pretendemos, também, que o investimento em investigação e desenvolvimento, que ainda é modesto, tenha maior dimensão, em particular na área da IA, pois é esse investimento que vai trazer maior retorno às empresas no futuro próximo”.

Texto e fotos por Carlos Saraiva


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