Revista o electricista

Iluminação conectada para maior segurança e resiliência

Iluminação conectada: maior segurança e resiliência na rede elétrica

A iluminação conectada é hoje uma resposta concreta aos desafios da segurança e da resiliência da rede elétrica, combinando eficiência energética, redução de emissões e melhoria da qualidade de vida.

Criar espaços habitáveis e sustentáveis é tão importante como reduzir o consumo de energia — e ambos os objetivos caminham lado a lado.

Se olharmos para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como prioridades globais, a ação climática e o acesso a energia limpa e a preços acessíveis assumem papel central. A eficiência energética é determinante para atingir metas nas áreas da saúde, educação e cidades sustentáveis. A iluminação conectada contribui diretamente para esse esforço, ao reduzir consumos e emissões e, simultaneamente, reforçar a segurança e a qualidade dos serviços urbanos.

Iluminação pública: menos acidentes, menos crime

A sustentabilidade do ambiente construído também se mede pelo impacto social dos espaços. A forma como ruas, praças e infraestruturas são iluminadas influencia a segurança e o bem-estar das pessoas. Sistemas modernos de iluminação pública melhoram os serviços urbanos, promovem o envolvimento social e aumentam a perceção de segurança. Existem soluções no mercado que permitem às cidades controlar, gerir e medir o impacto e a eficiência da iluminação em tempo real, ajustando níveis e horários de forma individualizada e otimizando recursos.

Segundo o World Council on City Data, a modernização para iluminação pública conectada pode reduzir acidentes rodoviários noturnos em 30% e crimes de rua, como agressões e assaltos, em 21%. A iluminação LED, integrada em sistemas inteligentes, contribui assim para cidades mais seguras, ao mesmo tempo que reduz o consumo energético.

Atualmente já existem no mercado soluções que permitem transformar as infraestruturas de iluminação em plataformas digitais integradas, permitindo disponibilizar conectividade sem fios de elevada largura de banda, criar redes Wi-Fi exteriores e suportar serviços públicos. A rede elétrica torna-se, assim, mais versátil e preparada para novas exigências.

O caso da cidade alemã de Herzogenaurach demonstra este potencial. A modernização de 3200 pontos de luz, interligados por um sistema de gestão conectada, permitiu ajustar níveis e horários individualmente e em tempo real. Sensores de movimento possibilitam o aumento da intensidade luminosa na presença de transeuntes e a sua redução quando o percurso está livre.Dois anos após a implementação dessa modernização, a cidade registou uma redução anual de 330 toneladas de CO2 e uma diminuição até 75% nos custos de eletricidade, face a um investimento de 1,6 milhões de euros. Para além da poupança energética e financeira, a qualidade do espaço público foi reforçada: iluminação de elevada qualidade gera espaços públicos de maior qualidade.

Iluminação interior: bem-estar e desempenho

No interior dos edifícios, os benefícios da iluminação conectada são igualmente expressivos. Mas sabemos que a luz natural é também um fator determinante para o bem‑estar, podendo melhorar a função mental e a memória até 25%.

A iluminação circadiana, alinhada com o ritmo biológico humano, assume assim cada vez mais importância, sobretudo quando se pensam em espaços interiores sem acesso a luz natural, como escritórios interiores, hospitais, lares, escolas e espaços subterrâneos que dependem totalmente de iluminação artificial. Aqui, a iluminação circadiana torna‑se ainda mais importante para compensar a ausência de luz natural e manter as pessoas alinhadas com o seu ritmo biológico. Soluções que permitem recriar o fluxo da luz natural em ambientes interiores possibilitam a transformação de espaços interiores, especialmente aqueles com pouca ou nenhuma luz natural, em ambientes mais saudáveis, confortáveis e estimulantes, recriando a experiência da luz natural de forma realista e dinâmica.

Em contexto educativo, estudos revelam que sistemas LED dinâmicos demonstraram um aumento de 35% na velocidade de leitura, redução de 45% nos erros e diminuição de 76% na hiperatividade ao longo de um ano de estudo. No ensino superior, a instalação de mais de 4000 luminárias com sensores de movimento e de luz natural num edifício universitário permitiu reduzir as emissões de CO2 em 80% e os custos energéticos em 60%, ajustando automaticamente a iluminação à ocupação e à luminosidade ambiente.

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