Revista o electricista

Sensor magnético de efeito de Hall

Ficha prática n.º 84:  práticas de eletricidade (sensor de efeito de Hall)

Na continuação dos sensores de campo magnético abordados no artigo anterior, com incidência sobre o contacto Reed, vamos agora abordar o sensor de efeito de Hall. Trata-se de um sensor bastante mais complexo que o anterior, mas também mais versátil na sua utilização e aplicação, dado que permite obter uma informação digital ou analógica.

2.12. Sensor magnético de efeito de Hall

Os sensores de campos magnéticos são dispositivos muito utilizados e presentes no dia a dia e possuem diversas aplicações, desde aparelhos de consumo até máquinas industriais. Uma das maneiras mais elementares de se fazer sensorização é através de campo magnético e por meio de uma bobina. Existem, contudo, dispositivos semicondutores próprios para a deteção de campos magnéticos, como é o caso do sensor Hall. O sensor Hall tem como princípio de funcionamento o “efeito Hall”, descoberto em 1879, por Edwin Hall. Este efeito é uma propriedade que se manifesta num condutor quando um campo magnético perpendicular ao fluxo de corrente é aplicado sobre ele. Quando isso ocorre, uma diferença de potencial no condutor é gerada, chamada tensão de Hall. Esta tensão possui direção perpendicular ao campo magnético e à corrente, e é proporcional à densidade de fluxo magnético e a essa mesma corrente. O campo magnético aplicado provoca um gradiente de concentração de portadores em todo o condutor. Quando o número de portadores de um lado do condutor for maior do que do outro, surgirá então esta diferença de potencial. A amplitude da tensão de Hall varia com a corrente e o campo magnético. A Figura 52 exemplifica o funcionamento de um gerador de tensão de Hall.

Figura 52. Princípio de geração de tensão de Hall.
Figura 52. Princípio de geração de tensão de Hall.

Sensores que utilizam este efeito são tipicamente construídos de materiais semicondutores, permitindo que a eletrónica seja desenvolvida no mesmo material. Para tal, podem ser utilizados materiais semicondutores tipo P ou tipo N. Quando o sistema possui uma alta mobilidade de carga, a constante Hall terá um valor relativamente grande, permitindo que se obtenha melhores valores de saída, conforme o esquema da Figura 53.

Funcionamento do semicondutor no sensor de efeito de Hall.
Figura 53. Funcionamento do semicondutor no sensor de efeito de Hall.

No princípio de funcionamento deste sensor, apresentado no esquema anterior, se uma diferença de potencial for aplicada ao material semicondutor, de modo a que flua uma corrente, e se, ao mesmo tempo, esse material for submetido a um campo magnético, as cargas, ao deslocarem-se através dele, tendem a desviar-se da sua trajetória normal, acumulando-se numa das faces laterais e, por consequência, gerando uma tensão.

Para que se tenha uma relação sinal / ruído alta, é necessário que a resistividade do material seja baixa, limitando, desta forma, a diferença de potencial gerada pelo ruído térmico. Estas condições são otimizadas ao utilizar-se um semicondutor tipo N.

Podemos encontrar, comercialmente, sensores de efeito Hall tanto na sua forma simples como em configuração em ponte. Uma das vantagens da utilização da configuração em ponte é que ela permite realizar a deteção de variações do campo em ambos os sentidos, simplificando o projeto de circuitos detetores. Comercialmente, estes sensores apresentam diversas formas, em função do contexto de aplicação: placa eletrónica ou automatismo eletromecânico, ou ligação a um PLC, automóvel, entre outras, conforme os exemplos da Figura 54.

Manuel Teixeira, Moisés Leite
myev.me

Para ler o artigo completo faça a subscrição da revista e obtenha gratuitamente o link de download da revista “o electricista” nº 96. Pode também solicitar apenas este artigo através do email: a.pereira@cie-comunicacao.pt.

Outros artigos relacionados