Revista o electricista

Encontro AGEFE 2026

Encontro AGEFE 2026: as encruzilhadas e o futuro do setor eletrodigital

O Encontro AGEFE de Material Elétrico 2026 reuniu, nos dias 7 e 8 de maio, mais de 180 profissionais do setor no Hotel Montebelo Vista Alegre, em Ílhavo. Foi a maior participação de sempre numa edição que colocou em debate a sustentabilidade da economia, a gestão intergeracional e os desafios da inteligência artificial. Sob o mote “Damos vida ao presente, aceleramos o futuro”, o Encontro Anual de Material Elétrico da AGEFE – Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital, serviu de palco para uma reflexão necessária sobre as “encruzilhadas” que definem a atualidade.

Uma noite de vencedores: Prémio Fornecedor do Ano, 13.ª edição

O primeiro dia de trabalhos começou com a apresentação do estudo sobre o Mercado Português de Material Elétrico em 2025, por André Jorge, cujos dados serviram de base para o painel “Economia da Transição: desafios para o setor e para o país”. Moderado pela jornalista Cristina Esteves, o debate reuniu Aroa Ruzo (Schneider Electric), Carlos Requetim (Electro Requetim), Ágata Sousa (Visabeira) e Fernando Cunha (Beyond Composite). Em análise estiveram as tendências do mercado, os desafios do setor e as oportunidades de crescimento, num debate que sublinhou a importância de alinhar empresas, tecnologia e políticas públicas.

Como já é tradição, o primeiro dia encerrou com o reconhecimento do mérito. A 13.ª edição dos prémios “Fornecedor do Ano” distinguiu as empresas que mais se destacaram em 2025 pela sua qualidade de serviço e inovação.

Nesta edição, os galardões foram atribuídos em sete categorias e três menções honrosas. A OBO Bettermann foi a grande vencedora da noite, levando para casa o prémio principal, além das vitórias nas categorias de “Material de Instalação” e “Mobilidade Elétrica”. Foram ainda distinguidas a Finder (Automação), a Prysmian (Cabos), a Came (Comunicação, Redes e Segurança), a Hager (Distribuição de Energia) e a Ledvance (Iluminação). As menções honrosas foram para a Morgado (Rentabilidade e Progressão) e a Signify (Oferta e Serviço).

Um feito histórico na economia nacional

Estamos perante um setor que, nas palavras do Vice-presidente do Conselho Sectorial de Material Elétrico, José António Coutinho, constitui “um dos principais eixos de estabilidade da economia nacional“. E que, num cenário marcado por “volatilidade de custos e incertezas geopolíticas”, tem dado “uma resposta extraordinária de resiliência e adaptação“.
Daniel Ribeiro, Diretor-Geral da AGEFE, fez questão de o sublinhar na abertura do segundo dia do certame. O barómetro do setor, divulgado a 7 de maio, mostrava crescimento. “Num setor que em 2025, registou um crescimento do mercado a dois dígitos e que em 2026 mantém a trajetória positiva, as empresas vivem o contexto presente com apreensão, mas sem pessimismo, embora com maior preocupação do que há dois meses”, disse Daniel Ribeiro, referindo a pressão nos custos, as perturbações no abastecimento e as alterações nas cadeias de valor. “O tema é saber até quando as empresas têm margem para aguentar. Hoje é tempo de não perder o timing e passar da visão e da missão para a ação“, colmatou.

Daniel Ribeiro da AGEFE
Daniel Ribeiro

A seguir à abertura, deu-se uma das intervenções mais aguardadas do encontro: a de Mário Centeno, ex-governador do Banco de Portugal, ex-Ministro das Finanças e ex-Presidente do Eurogrupo, que subiu ao palco para falar de sustentabilidade e resiliência da economia portuguesa.

Mário Centeno trouxe uma perspetiva de otimismo crítico, destacando a saúde financeira das empresas portuguesas, mas sem iludir os desafios que persistem. Os desafios da economia, disse, devem ser vistos como encruzilhadas. “Esta ideia da encruzilhada tem uma ideia filosófica por trás: não podemos tomar decisões com base em perceções”, disse, aproveitando ainda para sulinhar que “quem tem mais paciência é quem tem mais liquidez, ou seja, menos dívida. E em qualquer negociação, quem ganha é quem tem mais paciência.”

Os dados que o ex-governador do Banco de Portugal apresentou foram, ao mesmo tempo, motivo de orgulho e de alerta. O mercado de trabalho qualificou-se de forma notável: o desemprego caiu de 17,2%, em 2013, para 6,1%, em 2022, e foram criados 150 mil empregos líquidos nos últimos cinco anos. Centeno realçou ainda que desde a fundação da Nacionalidade até 2014, os salários pagos pelo setor privado em Portugal atingiram 33,5 mil milhões de euros – valor que, entre 2015 e 2024, quase duplicou para 64,5 mil milhões. “Conseguimos em dez anos aquilo que tínhamos conseguido em quase 900“, afirmou. E sublinhou o que considera um feito macroeconómico raro: “as empresas conseguiram algo muito pouco usual, juntar a redução da dívida ao aumento do investimento ao mesmo tempo“, num contexto de inflação e taxas de juro elevadas.

por Sara Ferreira

Para ler o artigo completo faça a subscrição da revista e obtenha gratuitamente o link de download da revista “o electricista” nº 96. Pode também solicitar apenas este artigo através do email: a.pereira@cie-comunicacao.pt

Outros artigos relacionados