Evolução da eletrificação de três setores da economia: indústria, doméstico e serviços, e principais desafios enfrentados por cada um.
Porquê a aposta na eletrificação?
A crescente adoção de fontes de energia endógena renovável no mix de consumo energético tem implicado uma eletrificação dos consumos de todos os setores de atividade. No entanto, em 2024, a eletricidade representava apenas um quarto (25,4%) do consumo de energia final. A eletricidade é uma forma de energia fundamental em qualquer setor, como se constatou com o apagão de 28 de abril, e cada um tem desafios a ultrapassar.
Panorama nacional
De um modo geral, tem-se assistido a uma eletrificação crescente do consumo de energia, conforme mostrado na Figura 1.

O consumo de eletricidade, e o seu peso no total de energia consumida, varia consideravelmente de setor para setor e concentra-se maioritariamente em três grandes setores: Indústria, Doméstico e Serviços, como a Figura 2 demonstra.

É assim importante analisar a evolução destes três setores ao longo das últimas décadas, apontando as causas dessa evolução e as oportunidades de melhoria.

Análise por setor
A nível nacional, a utilização de eletricidade está invariavelmente relacionada com condições socioeconómicas locais. Analisando o consumo de eletricidade por setor e por concelho podemos identificar a realidade local (Figura 4).

Começando por analisar a eletrificação na Indústria, verifica-se que a eletricidade tem sido cada vez mais utilizada como fonte de energia, tendo esta representado praticamente um terço (31,3%) de todo o consumo de energia do setor em 2024. Os concelhos onde este setor tem mais peso são caracterizados pela presença de indústrias fortemente consumidoras de energia elétrica, pouco populosos e com baixa atividade no setor dos serviços. Este tem sido o setor em que a adoção da eletricidade tem sido mais difícil. No entanto, tem-se assistido à progressiva substituição de fontes de energia fóssil por eletricidade com origem em fontes de energia renovável em automação de processos, aquecimento e refrigeração, monitorização e gestão de consumos, processos químicos e até em fusão de metais.
Já o setor Doméstico foi o segundo maior consumidor de eletricidade (29%) em 2023. A porção de energia final suprida por eletricidade neste setor duplicou entre 1990 e 2010. Registou, no entanto, uma estagnação desta transição na última década. Os concelhos onde este setor tem um maior peso dedicam-se maioritariamente às atividades agrícolas, caracterizando-se também pelas baixas atividades na Indústria e no setor dos Serviços, o que faz com que o consumo de eletricidade recaia essencialmente nos consumidores domésticos. A adoção da eletricidade neste setor tem sido feita através da troca de equipamentos a gás por equivalentes elétricos.
Por último, o setor dos Serviços foi o único no qual a contribuição da eletricidade diminuiu desde 1990, apesar de, historicamente, ter dependido desta fonte para mais de metade das suas necessidades. Em 2023, este setor representou “apenas” 25% do consumo final de energia em Portugal. Os concelhos onde o setor dos Serviços teve mais peso são caracterizados por uma maior preponderância do setor do turismo, estando concentrados nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, no Algarve e na ilha da Madeira.
Perspetivas futuras
A eletrificação progressiva na Indústria será demorada, apresentando uma série de desafios, tais como: elevado custo inicial de sistemas elétricos, dependência de aumento de capacidade elétrica na rede nacional e requalificação técnica para gestão dos novos sistemas energéticos.
Nos setores Doméstico e dos Serviços as alternativas elétricas já existem. No entanto, a instalação de novos sistemas elétricos pode implicar obras significativas no espaço onde estes serão instalados, o que pode significar custos iniciais elevados, além do necessário aumento de potência contratada, que também implica maiores custos. Estes custos adicionais devem ser considerados aquando da comparação com as soluções existentes a gás.
Apesar da eletrificação da economia se apresentar como um processo longo e diferenciado, no qual cada setor tem os seus obstáculos, já está a acontecer e tanto as políticas nacionais como europeias apontam para um futuro cada vez mais elétrico e renovável.
Márcio Sobral
Técnico Especialista da Direção de Formação, Informação e Educação na ADENE.
ADENE – Agência para a Energia
Tel.: +351 214 722 800
geral@adene.pt · www.adene.pt
Fonte da imagem em destaque: Freepik
você pode gostar
-
Novos cabos elétricos chainflex para salas de espetáculo
-
OBO Bettermann Portugal lança novo Catálogo
-
Torre de carregamento Z-BOXS222 da TEV traz nova geração de carregamento inteligente para veículos elétricos
-
Soluções de alimentação CC para infraestruturas energéticas críticas
-
Balanço Energético Nacional 2024
