Este artigo oferece informações práticas e exemplos ilustrados sobre a realização dos ensaios de medição exigidos pela Norma Internacional e Europeia IEC 60364 Instalação Elétrica de Edifícios (até 1000 V AC) – Parte 6: Verificação. Em Portugal é conhecido por RIEBT Parte 6.
Este artigo técnico não considerará inspeções (por exemplo, a verificação do método de proteção contra choque elétrico como barreiras e distâncias, cor e tamanho dos condutores, presença dos diagramas, seleção adequada de materiais, entre outros), mas focará nos vários testes por instrumentos e os valores estipulados que esses testes devem fornecer.
A Kyoritsu Electrical Instruments Works, LTD informa que este artigo técnico não substitui a Norma Internacional e Europeia IEC 60364 ou os regulamentos próprios nacionais, que devem ser sempre consultados em caso de dúvida.
Requisitos para testar uma instalação elétrica e lista de testes
A Norma Internacional e Europeia IEC 60364-6 exige que todos os instrumentos de medição e métodos utilizados para testar instalações elétricas sejam escolhidos de acordo com a série de Normas IEC EN 61557, que é uma Norma relacionada com o desempenho, precisão e segurança de tais instrumentos de medição.
Na verdade, a Norma IEC EN 61557 exige princípios comuns para a obtenção de resultados fiáveis e comparáveis nos instrumentos de medição, mesmo que sejam de fabricantes diferentes, de forma a obter uma avaliação objetiva sobre as instalações elétricas.
Se for utilizado outro instrumento de medição, este não deverá proporcionar um grau de desempenho e segurança inferior ao exigido pela série de Normas IEC 61557.
Os seguintes testes devem ser realizados quando relevante e devem ser feitos preferencialmente na seguinte sequência:
- Continuidade de condutores, incluindo condutores de ligação de proteção, peças condutoras expostas e, no caso de circuitos finais de anel, condutores sob tensão;
- Resistência de isolamento da instalação elétrica;
- Testes de resistência de isolamento para confirmar a eficácia de SELV, PELV ou separação elétrica;
- Testes de resistência de isolamento para confirmar pavimentos e paredes não condutores;
- Testes para confirmar a eficácia da desconexão automática da alimentação (impedância do circuito de falha, resistência de terra, teste no disjuntor diferencial);
- Testes de polaridade e sequência de fases;
- Testes funcionais;
- Queda de voltagem.
A lista acima referida pode parecer complexa e extensa, mas, se considerarmos apenas os ensaios mais importantes e relevantes para os sistemas TT utilizados em instalações elétricas residenciais, comerciais e industriais ligeiras em Portugal, poderíamos simplificar a lista de ensaios. Contudo, antes de entrarmos nos detalhes de tais testes, vamos recordar o significado do Sistema TT. O Sistema TT é um sistema elétrico onde todas as partes condutoras acessíveis são ligadas à terra independentemente da fonte de terra (ver Figura 1):

Em Portugal, os sistemas TT são comuns e amplamente utilizados. Na prática, podemos dizer que o sistema TT é provavelmente utilizado para instalações elétricas residenciais, comerciais e industriais ligeiras, se a fonte de alimentação de baixa tensão 230/400 V for proveniente da empresa de energia e o sistema de ligação à terra for feito localmente e separado da ligação à terra da empresa.
Continuidade
A IEC 60364-6 exige que a continuidade dos condutores de proteção, incluindo condutores de ligação de proteção, peças condutoras expostas e, no caso de circuitos finais de anel, condutores ativos, seja testada.
O testador adequado para este ensaio deverá ser capaz de fornecer uma corrente mínima de 200 mA com uma tensão em vazio entre 4 e 24 V CC ou CA.
A IEC 60364-6 mostra uma estimativa do valor de resistência que provavelmente será obtido durante o teste de continuidade para cablagem de cobre a 30 °C, dependendo da secção transversal nominal:
| Área nominal da secção transversal mm2 | Resistência específica do condutor R a 30 °C mΩ/m |
| 1,5 | 12,575 |
| 2,5 | 7,566 |
| 4 | 4,739 |
| 6 | 3,149 |
| 10 | 1,881 |
| 16 | 1,185 |
| 25 | 0,752 |
| 35 | 0,546 |
| 50 | 0,404 |
| 70 | 0,281 |
| 95 | 0,204 |
| 120 | 0,163 |
| 150 | 0,134 |
| 185 | 0,109 |
Nota: esta estimativa baseia-se na característica de resistividade teórica e nominal do cobre puro e não inclui na maioria das vezes resistências de contacto relevantes. Além disso, a resistividade do cobre pode aumentar devido à qualidade e ao processo de envelhecimento do mesmo. Assim sendo, os valores de resistência medidos durante os ensaios de continuidade podem ser significativamente superiores aos da tabela acima.
Duarte Neves, Lda.
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