Revista o electricista

Drivers na iluminação LED

Drivers: a peça-chave da eficiência e fiabilidade na iluminação LED

A tecnologia LED revolucionou o setor da iluminação. A eficiência energética, a longa durabilidade e a baixa emissão de calor tornaram os LEDs incontornáveis em qualquer projeto de iluminação.

No entanto, há um elemento frequentemente esquecido que é determinante para o desempenho destes sistemas: mais de 50% das avarias na iluminação LED têm origem nos drivers.

O que é um driver?

O LED é um díodo emissor de luz. Se analisarmos a curva de funcionamento de um díodo, verificamos que uma pequena variação de tensão provoca uma variação exponencial da corrente.

O driver é o dispositivo eletrónico que regula a potência fornecida aos LEDs, garantindo um funcionamento estável e seguro. Como os LEDs não conseguem limitar sozinhos a corrente elétrica que os atravessa, cabe ao driver desempenhar essa função, evitando fenómenos como o thermal runaway, em que o aumento da temperatura conduz ao consumo excessivo de corrente e, por consequência, à falha do LED.

Ao longo do tempo, os drivers evoluíram significativamente. Hoje, são eles que viabilizam a controlabilidade dos LEDs, isto é, a possibilidade de regular intensidade, cor e comportamento da luz, suportando protocolos que permitem programar cenários, integrar protocolos de comunicação e gerir grupos de luminárias.

Associados a sistemas IoT, assumem um papel essencial no conceito de Iluminação Centrada no Ser Humano (HCL) e na criação de diferentes ambiências.

É importante salientar que um driver não é o mesmo que uma fonte de alimentação.

Exemplo de um driver de um tubo LED
Exemplo de um driver de um tubo LED (Fonte: AURAICITY).

Fonte de alimentação

Converte a corrente alternada da rede (230 V AC, por exemplo) em corrente contínua com uma tensão fixa (exemplo: 12 VDC ou 24 VDC).

Fornece energia a vários dispositivos, não apenas a LEDs.

Não regula a corrente que atravessa os LEDs, apenas mantém a tensão estável.

É adequada quando se usam fitas ou módulos LED que já integram resistências ou circuitos de controlo.

Drivers

Existem dois tipos principais de drivers na iluminação LED: drivers de tensão constante e drivers de corrente constante.

Driver de tensão constante

  • Fornece tensão contínua fixa (12 V, 24 V, entre outras), mas otimizada para LEDs;
  • Integra proteções e funcionalidades específicas:
    • arranque suave (evita picos de corrente ao ligar os LEDs);
    • melhor filtragem contra flicker;
    • proteções contra sobretensão, curto-circuito e sobreaquecimento;
  • Suporta regulação (dimming) segundo protocolos como 0-10 V, DALI ou PWM, algo que nem todas as fontes de alimentação comuns oferecem.

As suas vantagens são:

  • permite alimentar vários LEDs em paralelo;
  • instalação simples;
  • compatível com sistemas básicos de controlo (PWM, TRIAC);
  • flexível para sistemas modulares como fitas LED.

No entanto, em termos de limitações,se os LEDs não tiverem resistências ou controlo integrado, podem sobreaquecer ou falhar.

Nota: Todo driver de tensão constante é uma fonte de alimentação, mas nem toda fonte de alimentação é um driver de tensão constante.

Driver de corrente constante

  • Fornece corrente fixa (exemplo: 350 mA, 700 mA, 1050 mA, entre outras), enquanto a tensão varia em função do número de LEDs ligados;
  • Ideal para LEDs de alta potência ou módulos sem eletrónica integrada;
  • Protege contra o thermal runaway;
  • Suporta regulação (dimming) com protocolos como 1-10 V, 0-10 V e DALI;
  • Exemplos de aplicação: projetores, luminárias industriais, iluminação pública, downlights, entre outros.

As suas vantagens são:

  • garante sempre a corrente correta, aumentando a durabilidade dos LEDs;
  • reduz o risco de falhas prematuras;
  • oferece maior estabilidade na regulação da luz.

Em termos de limitações, é menos flexível. O número de LEDs deve estar dentro da gama de tensão suportada pelo driver (exemplo: 20–40 VDC).

Porque falham os drivers?

Apesar da longa vida útil dos LEDs, os drivers são o elo mais frágil do sistema e a qualidade não está à vista.

Alberto Van Zeller
Centro Português de Iluminação


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