A sede da Microsoft em Lisboa foi o palco escolhido para refletir sobre soluções, exigências e desafios da gestão técnica integrada de dados em edifícios inteligentes.
O evento organizado pela Microsoft, a Johnson Controls e o Grupo Contimetra/Sistimetra realizou-se a 16 de setembro no Microsoft Innovation Center, no Parque das Nações, reunindo cerca de quatro dezenas de decisores envolvidos na gestão operacional de edifícios e sistemas técnicos.
Falou-se da crescente importância da Inteligência Artificial (IA) na arquitetura de sistemas avançados dedicados à aquisição e tratamento integrado dos dados essenciais para reduzir o consumo energético nos edifícios, aumentar a eficiência e a sustentabilidade e reduzir os custos.
Em destaque esteve o ecossistema digital OpenBlue desenvolvido pela Johnson Controls para aquisição e gestão integrada de dados, bem como as interações deste com a plataforma de computação em nuvem da Microsoft, a Azure. Lançado originalmente em 2020, o OpenBluetem agora novas funções e capacidades muito potenciadas pela IA.
Três oradores convidados, IIan Yaniv (Johnson Controls), André Matos (Microsoft) e Nuno Silva (Contimetra/Sistimetra) partilharam soluções desenhadas para os novos tempos da digitalização aplicável aos sistemas instalados em edifícios e que no seu conjunto são responsáveis por 40% da fatura final de energia e cerca de 38% das emissões de gases com efeito de estufa, os famigerados GEE.
A dimensão do tema torna-se ainda mais impactante quando se sabe que 75% dos edifícios na União Europeia são ineficientes do ponto de vista energético e 80% nem sequer tem instalado qualquer sistema de controlo e gestão ancorado em hardware e software que monitorizem o uso da energia e a performance de equipamentos como o ar condicionado, a ventilação, o aquecimento, a iluminação ou os sistemas de segurança.

Segurança e inovação
André Matos, Cloud & AI Solution Engineer Microsoft, elencou alguns dados genéricos relativos ao desenvolvimento e gestão dos Data Centers e a incorporação da Inteligência Artificial, bem como a emergência transversal de preocupações relacionadas com a sustentabilidade.
“A IA está em todo o lado, nas nossas vidas como consumidores, mas vai entrar certamente nas vidas de todos os trabalhadores. A indústria está a mudar de forma muita rápida e é o consumidor que está a trazê-la para dentro das empresas, obrigando as empresas a redefinir a operação. Mas esta incorporação rápida da IA nos processos industriais também implica muitos desafios relacionados com o fornecimento de componentes ou o incremento do consumo de eletricidade ligado aos Data Centers. E também há questões de cibersegurança e vulnerabilidade associadas que é preciso equacionar”, referiu André Matos.
“Porém, a segurança, sendo um ponto basilar, não deve atrasar a inovação. Claro que as falhas são má publicidade com impacto gigantesco no mercado global e na reputação dos provedores de tecnologia e por isso o investimento em segurança é tão relevante”, acrescentou.
Sobre a questão da sustentabilidade, André Matos sublinhou que “a Microsoft está empenhada em ajudar o Mundo face ao espartilho da descarbonização na Europa e é legítimo que também explore esse objetivo como instrumento de marketing”.
“Até 2030 queremos eliminar as emissões de carbono, atingir o desperdício zero, devolver mais água do que consumimos nas operações diretas e usar apenas eletricidade de fontes renováveis nos nossos Data Centers”, concluiu o orador.
Evolução da espécie
IIan Yaniv, Senior Digital Transformation Leader na Johnson Controls, trouxe ao evento uma reflexão sobre como a IA está a transformar os grandes edifícios. Explicou as diferenças essenciais entre a IA e a sua gémea evolutiva, a IA generativa (GenIA), e acentuou a importância crescente do controlo automático e centralizado dos sistemas nos edifícios.
“Quando falamos de IA tradicional estamos a falar de um modo capaz de analisar os dados e executar tarefas específicas, usar regras explícitas e algoritmos, fornecer soluções e classificações, seguir uma receita tal qual um Chef de cozinha faria. A GenIA tem uma competência de aprendizagem a partir dos dados, é capaz de gerar novos dados e conteúdos. Usando o mesmo exemplo do Chef, neste caso podemos fornecer os ingredientes e esperar que a GenIA elabore a receita. Estamos a falar de criatividade e imaginação executadas por uma máquina, algo totalmente novo”, referiu IIan Yaniv.
Texto e fotos por Carlos Saraiva
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