Os requisitos para um projeto de uma rede de par de cobre para uma moradia, indústria, hospital ou hotel são distintos, os quais devem garantir especificações mínimas previamente definidas que assegurem fiabilidade, segurança, velocidade e qualidade de transmissão. Portanto, garantir fatores ao nível da categoria, blindagem, qualidade e reação ao fogo do cabo par de cobre, são de extrema importância.
Cat.6, Cat.6a ou superior?
Estima-se que, em mais de 90% das instalações residenciais, seja instalado um cabo par de cobre de Cat.6. Trata-se de um cabo que cumpre com os requisitos mínimos do ITED e é, naturalmente, a solução mais económica, face aos de categoria superior. No entanto, a procura de cabos Cat.6a é cada vez maior, principalmente em infraestruturas não residenciais como escolas, hotéis, indústria, entre outros…
Na prática, quais são as diferenças entre um cabo Cat.6 e um Cat.6a? A distinção principal encontra-se no desempenho eletromecânico: o cabo Cat.6 assegura débitos até 1 Gbps, operando a frequências máximas de 250 MHz, enquanto o cabo Cat.6A (Augmented) permite débitos até 10 Gbps, com operação até 500 MHz. Considerando que a diferença de custos entre ambas as categorias tem vindo a diminuir, a utilização de Cat.6A apresenta-se como a solução mais adequada para redes que exijam maiores larguras de banda e capacidade de transmissão.
Para assegurar o funcionamento de redes a 10 Gbps em regime simétrico, torna-se necessária a substituição parcial ou total das cablagens existentes por cabos Cat.6A ou superiores, constituindo este um requisito técnico essencial. A rápida evolução tecnológica no setor das telecomunicações reforça a necessidade de o projetista ITED ter plena consciência destes requisitos.
A utilização de cabos de categoria 7 ou superior permanece limitada devido à sua incompatibilidade com conectores RJ45, amplamente adotados nas infraestruturas de telecomunicações. Ainda assim, existem instalações onde se recorre a cabos destas categorias, procedendo-se à sua terminação com conectores Cat.6A, o que resulta na classificação da ligação permanente em Classe Ea.
UTP, FTP ou STP?
De forma geral, nos sistemas de cablagem de par de cobre, o aumento da distância entre o equipamento ativo (router ou switch) e a tomada de telecomunicações conduz a uma diminuição do débito útil de transmissão. Por este motivo, o cabo deve ser adequadamente protegido contra influências externas, nomeadamente emissões eletromagnéticas indesejadas.
As influências externas podem assumir relevância significativa, exigindo a adoção de medidas adicionais para assegurar a integridade do sinal transmitido. As interferências eletromagnéticas não resultam apenas de fontes externas à infraestrutura. Estas podem ser induzidas igualmente por cabos adjacentes que partilham a mesma rede de tubagens, potenciando fenómenos de diafonia externa (Alien Crosstalk).
Os cabos UTP (Unshielded Twisted Pair) não possuem qualquer tipo de blindagem, sendo geralmente utilizados em instalações residenciais ou em contextos com baixa densidade de cabos e reduzida propagação de ruído eletromagnético. Por sua vez, os cabos FTP (Foiled Twisted Pair) incorporam uma blindagem metálica, normalmente uma lâmina de alumínio, que pode envolver a totalidade dos pares ou cada par individualmente, garantindo respetivamente blindagem global do cabo ou blindagem adicional entre pares. Esta blindagem confere maior robustez e imunidade a interferências, embora aumente a rigidez e o custo do cabo.
Já os cabos STP ou S/FTP, conforme usual nomenclatura comercial, apresentam blindagem individual por par através de lâmina metálica e blindagem adicional global através de malha metálica flexível. Este nível de proteção torna os cabos S/FTP adequados para ambientes com elevada interferência eletromagnética, como instalações industriais, unidades hospitalares ou centros de dados, oferecendo níveis superiores de proteção contra EMI e diafonia quando comparados com cabos FTP.
A utilização de cabos Cat.6A, capazes de suportar débitos até 10 Gbps a frequências de até 500 MHz, beneficia tecnicamente da presença de blindagem, de forma a assegurar níveis de desempenho compatíveis com a categoria. Contudo, a implementação de ligações permanentes totalmente blindadas é frequentemente inviável do ponto de vista económico, não apenas pelo custo acrescido do cabo, mas sobretudo pela conectividade e mão-de-obra especializada necessárias para a sua instalação.
Quando se opta pela utilização de cabos Cat.6A não blindados, é recomendável que estes incluam, no mínimo, uma camada designada por barrier tape. Trata-se de uma película não condutora que envolve todos os pares, contribuindo para a mitigação eficaz de interferências externas (Alien Crosstalk – AXT) e resultando em valores significativamente superiores nos parâmetros PSANEXT e PSAACRF durante a certificação da ligação permanente.
Hélder Martins
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- Artigo “cuidado com os cabos de dados de alumínio cobreado (CCA)!” da edição 79 da revista “o electricista”;
- Notícia “Novos cabos par de cobre” presente na revista “o electricista”;
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