Revista o electricista

BESS, os sistemas de armazenamento de energia em baterias

BESS: arquitetura modular, desempenho térmico e integração eletromecânica em sistemas de armazenamento de energia

A crescente integração de fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, coloca desafios significativos à estabilidade e à qualidade das redes elétricas modernas.

Neste contexto, os sistemas de armazenamento de energia em baterias, designados pela sigla BESS (Battery Energy Storage System), assumem um papel estratégico na engenharia eletrotécnica contemporânea. Um BESS é constituído por módulos de baterias, sistema de conversão de potência (PCS), sistema de gestão de baterias (BMS), dispositivos de proteção, supervisão e uma infraestrutura mecânica de integração. A fiabilidade global não depende apenas da tecnologia das células eletroquímicas, mas também da arquitetura física que aloja, protege e interliga os subsistemas eletrónicos e de potência. Soluções modulares de encapsulamento eletrónico contribuem para assegurar robustez estrutural, desempenho térmico, compatibilidade eletromagnética e escalabilidade operacional.

Do ponto de vista funcional, o BESS atua como elemento de compensação dinâmica entre geração e consumo. Em períodos de excedente energético, a energia é convertida e armazenada. Em momentos de défice ou instabilidade, é devolvida à rede através de inversores bidirecionais. Esta operação exige controlo rigoroso de tensão, corrente e frequência, bem como elevada capacidade de resposta a fenómenos transitórios. A arquitetura típica inclui racks de baterias, módulos conversores AC/DC e DC/AC, barramentos de potência, sensores térmicos e sistemas de comunicação industrial. A integração física destes componentes requer estruturas normalizadas, frequentemente baseadas no formato de 19’’ ou em arquiteturas modulares industriais, facilitando a manutenção, a substituição de módulos e a expansão futura.

A engenharia mecânica aplicada ao BESS deve considerar vibrações, dilatações térmicas, distribuição de massa e proteção contra agentes ambientais. Em aplicações no exterior, como centrais solares, parques eólicos ou subestações, os sistemas são instalados em armários ou contentores com elevado grau de proteção. Internamente, a estrutura deve garantir fixação estável dos módulos de potência, evitando esforços mecânicos excessivos sobre placas eletrónicas e ligações de elevada corrente. Trilhos de guia, subracks metálicos e painéis estruturais proporcionam alinhamento preciso e distribuição uniforme de carga, reduzindo a probabilidade de falhas ao longo do ciclo de vida do equipamento.

A gestão térmica constitui um dos principais desafios técnicos. As baterias de iões de lítio, amplamente utilizadas devido à sua elevada densidade energética, apresentam sensibilidade a variações de temperatura. O aumento térmico excessivo acelera processos de degradação química e pode originar eventos críticos. Assim, a infraestrutura física deve permitir circulação de ar otimizada ou integração com sistemas de arrefecimento líquido. A modelação por dinâmica de fluidos computacional possibilita a avaliação de gradientes térmicos e a identificação de pontos de aquecimento localizados. Estruturas metálicas com boa condutividade térmica, associadas a ventilação forçada redundante, contribuem para manter as temperaturas dentro de limites operacionais seguros.

A compatibilidade eletromagnética é igualmente determinante. Conversores de potência operam com comutação em alta frequência, gerando ruído eletromagnético conduzido e irradiado. O encapsulamento metálico adequado funciona como blindagem, reduzindo interferências externas e emissões indesejadas. A continuidade elétrica entre painéis, trilhos e estrutura principal assegura baixa impedância de ligação à terra. Projetos modulares metálicos favorecem a conformidade com normas internacionais e aumentam a imunidade do sistema em ambientes industriais exigentes.

A arquitetura elétrica de um BESS envolve múltiplos níveis de tensão. A associação em série e em paralelo de módulos pode resultar em barramentos de centenas ou milhares de volts. A infraestrutura mecânica deve garantir distâncias de isolamento adequadas e segregação física entre compartimentos de potência e compartimentos de controlo. Esta compartimentação melhora a segurança, reduz riscos de arco elétrico e facilita intervenções técnicas sem necessidade de desligamento integral do sistema.

O sistema de gestão de baterias desempenha uma função central na operação segura do BESS. Monitoriza a tensão individual das células, a temperatura, o estado de carga e o estado de saúde, executando ainda estratégias de balanceamento. A sua integração física requer proteção contra vibrações, interferências eletromagnéticas e variações ambientais. Estruturas normalizadas permitem a instalação organizada das placas de controlo em subracks dedicados, assegurando rastreabilidade, ventilação adequada e melhor gestão de cablagem. Uma organização interna eficiente reduz indutâncias parasitas e melhora a integridade de sinal nos protocolos de comunicação industrial.

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