Revista o electricista

A fibra ótica multimodo será necessária num edifício novo?

A fibra ótica multimodo será necessária num edifício novo?

A utilização de fibra ótica nas ITED é cada vez mais frequente e por vezes ainda surgem algumas dúvidas sobre o tipo de fibra ótica a utilizar.

Muita das vezes o projetista é confrontado com a necessidade de se prever a inclusão de fibra ótica multimodo na infraestrutura do edifício, para se garantir a comunicação de determinados equipamentos previstos.

No entanto, o manual ITED4 é claro e na secção 3.2.3.1, Cabos e Dispositivos é referido o seguinte:
A fibra ótica monomodo é o único tipo de fibra que pode ser instalado nas ITED. Deverá estar de acordo com os requisitos da norma EN 60793-2-50.”

Desta forma, o projetista ITED tem a responsabilidade de resolver este problema. Por um lado, tem o dono de obra ou seu representante a solicitar a implementação de uma solução de fibra ótica multimodo, mas por outro, existe a legislação ITED que o impede de proceder dessa forma, sendo a fibra ótica monomodo, a única a poder fazer parte das ITED.

Este é um problema que frequentemente não é bem aceite por quem faz o investimento, e que por vezes se complica quando se tratam de organizações estrangeiras que trazem métodos e hábitos dos seus países de origem, e pretendem implementar soluções análogas em Portugal, onde a fibra ótica multimodo faz parte dessas exigências.

No entanto, um cidadão alemão sabe que quando está em Portugal tem de cumprir com os limites de velocidade nas autoestradas nacionais e um cidadão inglês não andará por cá a conduzir pela esquerda. Portugal, sendo um dos países com um regulamento de infraestruturas de telecomunicações mais avançado da europa, tem regras próprias, as quais têm naturalmente de ser cumpridas.

Mas que alternativas existem para que as infraestruturas fiquem aptas a funcionar? A criação de uma rede privativa poderá ser uma das soluções para que estes cabos possam ser instalados, uma vez que não podem coabitar com as ITED. A opção aparenta ser fácil, mas implica na duplicação de caminhos de cabos, armários, tornando-se numa solução dispendiosa.

A implementação de uma rede privativa será a única solução? Antes da tomada de decisão é imprescindível perceber a finalidade da utilização da fibra ótica multimodo, e se a fibra monomodo não a poderá substituir. Muitas das vezes a fibra ótica utilizada na interligação de equipamentos ativos, necessita de um transcetor para efetuar a adaptação respetiva ao equipamento. Estes equipamentos, também conhecidos como SFP (Small Form-Factor Pluggable) existem para fibra multimodo e monomodo, sendo no passado a versão multimodo significativamente mais económica que a versão monomodo. Atualmente esta diferença de custo já não é significativa, e será assim possível adaptar um qualquer equipamento com portas SFP, a comunicar quer com fibra ótica multimodo como monomodo, desde que se instale o Transceptor correto.

Pode assim a imposição de instalar fibra ótica multimodo não passar apenas de um mito e ser possível em sua substituição a utilização de fibra ótica monomodo válida nas ITED. Como exemplo, nas figuras pode constatar-se 3 possibilidades de implementação de diferentes soluções para a mesma finalidade.

A interligação de 2 switch através de fibra ótica. Na Figura 1 utilizam-se 2 transcetores SFP com ligação a uma única fibra ótica monomodo. Neste caso os SFP são diferentes, emitindo em comprimentos de onda distintos de forma a ser possível uma comunicação bidirecional através da mesma fibra. Na Figura 2, o SFP funciona com 2 fibras monomodo, utilizando o mesmo comprimento de onda. A Figura 3, os transcetores utilizam 2 fibras óticas, mas multimodo.

Figura 1. Transceptor SFP 1 Fibra SM (Monomodo).
Figura 2. Transceptor SFP 2 Fibras SM (Monomodo).



Figura 3. Transcetor SFP 2 Fibras MM (Multimodo).

Concluindo, as 3 soluções funcionam com desempenhos semelhantes, no entanto a solução que utiliza fibra ótica multimodo não é passível de se utilizar nas ITED. Existem muitos outros equipamentos que funcionam de forma semelhante como sejam meros conversores de meios.

Cabe ao projetista, informar, divulgar e esclarecer convenientemente aqueles que insistentemente vão ainda exigindo a necessidade de fibra ótica multimodo numa infraestrutura nova de telecomunicações. A ainda pequena diferença de custo dos SFP compensa claramente a ausência de criação de redes privativas paralelas às ITED, que se tornam onerosas para o cliente e simultaneamente está-se em cumprimento com as ITED.

Hélder Martins
Televés Electrónica Portuguesa, Lda.

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