CICECO desenvolve material biodegradável para conservar alimentos

Um novo tipo de película bioplástica capaz de conduzir eletricidade para a embalagem e conservação de alimentos, e eventual aplicação médica, está a ser desenvolvido por investigadores do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro, no âmbito do projeto europeu BIOFOODPACK. Em março de 2019 será publicado um artigo sobre a preparação desta película no periódico científico “Composites Science and Technology”. A equipa de investigadores do CICECO e da Universidade de Aveiro lidera o projeto BIOFOODPACK. A parceria inclui ainda a Sonae, a Energy Pulse Systems, a MKF-Ergis e instituições académicas (Universidade do Minho, Wrocław University of Science and Technology e Cyprus University of Technology).

Este material deve ser amigo do ambiente e permitir a eliminação, a baixa temperatura, dos microrganismos presentes nos alimentos, mantendo as caraterísticas originais destes (o sabor, a textura e as propriedades nutritivas), e conservando os alimentos de forma duradoura.

O ponto de partida é a quitosana, um polímero biodegradável extraído da casca de camarão, já conhecido na indústria farmacêutica e alimentar como suplemento dietético e espessante. Para conferir condutividade elétrica à quitosana, juntam-se partículas de carbono produzidas por uma nova metodologia, amiga do ambiente e compatível com os alimentos. Aos alimentos embalados com esta película é, depois, aplicado um campo elétrico de microssegundos que inibe os microrganismos. Ainda há trabalho a ser feito: falta determinar o valor de condutividade elétrica do material necessária para cada tipo de alimento, saber quais as caraterísticas ótimas dos alimentos para o efeito e durante quando tempo se mantém a ausência de microrganismos vivos dentro da embalagem. Ainda se perspetiva a aplicação na área da medicina, em emplastros embebidos com substâncias terapêuticas que, sob efeito de impulsos elétricos, libertam essas substâncias para o organismo em tratamento.